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23/12/10
Trip to the Past
A cada passo que dou, em direcção a um futuro inesperado, sinto um puxar. Sinto um pequeno levitar que me atira bruscamente para trás. É a pequena fobia do desconhecido. Não conhecia tal fobia. Fui apresentada a ela quando, do nada, o meu mundo se revirou e se recriou deixando para trás grande parte do que para mim era...importante. Verifico agora, a cada passo que dou, que troquei o certo pelo incerto ao confiar no que eu julgava totalmente perfeito. Sem falhas. Mas falhei, eu mesma falhei dentro daquilo que eu achava que não tinha falhas; falhei ao achar que não podia falhar. Falhei também, triste e vulgarmente, ao achar que existiria um conto de fadas Disney dentro da minha vida. Estes contos de fadas não caem do céu, temos que ser nós a contá-los para que eles se contem. Eu tinha conto pronto, feito, escrito e embalado, com pétalas do que eu tomei por uma flor sem dor. Mas faltavam-me as fadas. Troquei eu, assim, uma vida só minha na qual eu seria sempre rainha sem rei por um subir ao paraíso de curta metragem. Depois disso veio o curto circuito. E agora já só me resta a curta memória pois, na realidade, não me consigo lembrar do que eu tinha em mente quando me atirei do tal precipício. Mas, atirei. Ao descer a mim mesma e á realidade na qual me situo hoje, vejo um bom passado sem futuro. Repleto de falhas incompreensíveis minhas e tuas. Escreverei a partir de agora a um novo tu? Julguei que escreveria para ti, para sempre. De bandeira branca no ar me rendo: o que esperavas de mim? Não sou perfeita, o meu mundo desmorona-se constantemente com o que para ti seria simplesmente uma unha partida. Achei que escreveria sempre para ti, mas tu nunca me leste. Escrevo agora para um futuro incerto. Prefiro levitar e cair um pouco mais á frente do que sentir cada passo teu como uma ancora nos meus passos. Se quiseres, partilho o meu caminho contigo, cedo te a minha caneta e deixo te escrever o nosso próprio percurso, compro-te um GPS e deixo te marcar o destino, podemos andar lado a lado, de mãos dadas até. Podemos perfeitamente construir o nosso próprio trono, eu deixo te ser o meu rei. A cada passo que dou volto para trás um grande quilómetro. Quem me puxa és tu. Não me puxes mais, já não quero ser puxada. A partir de hoje escrevo para um novo tu, ainda és bem vindo aqui, ainda quero que me leias. Ainda volto para trás ás vezes. Apenas aprendi a virar me para a frente logo de seguida.
04/12/10
Fábula de Amor
Já percorri um longo caminho sem mapa nem destino, nunca nada de mais interrompeu o meu caminho. De repente, veio com o vento, sonolento e cansado, um pequeno beijo sem destinatário nem remetente. Anónimo e sem dono, este beijo seguiu o mesmo caminho que eu, confusa e incompreendida. Sem saber de quem era o beijo, beijei o de volta, sem perguntas nem questões, nem dramas nem confusões. Este pequeno beijo tornou-se num olhar subtil, num olho meigo e num olho gentil, que me olharam ao partir. Seguindo o meu caminho sozinha novamente, senti falta do olhar que me aquecia para eu dormir nas ruas do caminho frívolo que eu percorria. Neste sítio não havia Verão, nem Primavera, nem Outono para as folhas douradas, apenas Inverno frio sem neve branca nem chuva molhada. Só eu e o vento, e a pressa da chegada. Voltei para trás, corri para trás, mas não vi olhar querido, nem beijo perdido, nem remetente, nem destinatário. Só vi uma pequena árvore, ainda jovem, nascendo sobre o único raio de sol do meu caminho, que rasgando as nuvens se conseguiu fazer sentir. Pequena árvore, fazes-me companhia? Devolves-me a minha alegria? Mas não respondia. O silêncio parecia atravessar-me o peito como que vidros partidos. Aproximei-me, com receio e curiosidade, da árvore agora grande. Crescendo-lhe uma pequena folha, ainda rebento, ela mostrou-me a Primavera. Esverdeando-a ela mostrou-me o calor colorido do Verão. Deixando-a cair, dourada, no chão, percebi o que era o Outono. Cobrindo-a de neve branca, á pequena folha coração, percebi o que era o Inverno, mas só quis o Verão. Verão, ilumina-me, dá-me cor, ensina-me o que é o amor! E o Verão apareceu com uma pedra na mão. O Verão é não muito alto, não muito magro, não muito bonito, não muito quente. É um menino pequeno, que montou casa no Sol. A pedra não era o amor. Olhando a pedra, segurando-a nas minhas palmas, vi um doce corte nela. O Verão não podia ficar por muito tempo, porque o Tempo é rezingão e corre sem parar sempre a horas, impedindo-nos de voltar se demorarmos muito tempo, assim funciona o Tempo. Sol, dá-me uma pista, és tu que aqueces o Verão, és tu que lhe dás a paixão, o amor é de pedra? E o Sol, redondo, sorriu-me lá do céu. Com o seu único raio fez chegar a mim um espelho. Um espelho e uma pedra rachada não parecem boas respostas. Olhei-me no espelho. Em mim lágrimas caíam, no espelho uma cara olhava-me tentando-se aproximar. Murmurando, a cara explicou-me que era eu ali também. Num lado chorava pois a Pedra rachada era o meu coração partido, o partido Inverno duradouro o meu Tempo triste, o Tempo a Espera inacabada. O beijo perdido era o amor escondido no olhar que me viu partir e me imaginou chegar. No outro lado do espelho era eu também, mas menos perdida, mais completa. Beijo perdido, beijas-me outra vez? Olhar querido, olhas-me outra vez? E juntando-se o Tempo infinito, a Pedra curada, o Sol quente, o Verão para as pazes, o Inverno para as discussões, o Outono para cairmos e a Primavera para nos fazer renascer, saíste tu. Não eras como eu imaginava, nem melhor, nem pior, eras real, nunca banal, e aí eu vi o Amor. O Amor não sou eu, nem tu, nem os outros todos, somos nós. E só nós fazemos o Sol sorrir e o espelho falar. E só nós sabemos amar.
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