Ás vezes olhamos pela janela e só pensamos nos finais felizes dos filmes americanos. Esperamos, insaciados com o presente, por um futuro. Temos a noção da realidade e no entanto ansiamos sempre pelo irreal lado dos sonhos, pelas ilusões inesperadas da vida, pelas princesas de cabelos longos entrançados que caem da maior janela da torre mais alta ou pelos príncipes altos com um sorriso e charme que nos encanta suavemente montando o seu cavalo branco ou égua dourada de pelo escovado e decorado carinhosamente. Nunca esperamos por nada menos que o final feliz, nunca ansiamos pela mulher de trinta anos divorciada, nunca aguardamos pelo cinquentão que já é pai e tem mais bagagem amorosa do que dinheiro na conta bancária. Se alguém nos disser a nós, adolescentes, que não vamos ter um feliz para sempre como se vê nos filmes, nós não acreditamos. Nunca iríamos acreditar que poderíamos vir a ser desempregados, pais e mães solteiros, divorciados ou viúvos. Nós já nem sabemos viver o presente, vivemos em função do futuro. Vivemos tudo em função de um final feliz. Eu pessoalmente esperei até ao último segundo pelo príncipe encantado dos meus sonhos, loiro de olhos azuis, com uma gigante mansão em Beverly Hills e outra junto ás praias da Foz. Sonhei até ao último loiro que cruzou o meu caminho. Divinalmente preparava a minha mente para, todos os dias, sonhar com a vida que iria ter. Como prioridade tinha o futuro, deixei para último o presente. E apenas o presente deve contar, é nele que vivemos, e não o podemos viver a sonhar se não o presente passa por nós a voar, o futuro passa o nós a correr e de repente já só temos passado. Talvez devêssemos olhar pela janela e observar o mundo lá fora, não é um mar de rosas, possivelmente tem mais espinhos do que rosas. Mas há tanta felicidade sem fim.
E então percebi.
Ás vezes não temos um final feliz porque não há exactamente um final. Há uma continuação. Eu encontrei a minha continuação ao sonhar por um fim, e juro, não poderia ter encontrado uma melhor Continuação.
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30/05/10
12/05/10
Querido Amigo
Porto, 15 de Março de 2010
Querido Amigo,
Estou incompleta e sem sentido, Todas as decisões por mim tomadas são descuidadas e rudes. A irresponsabilidade de uma criança enquadra se em mim; já não percebo os conflitos da minha mente perplexa ao ver como me sinto depois de horas, dias, semanas de longos monólogos que o silêncio guarda só para ele, egoísta e matreiro. Também é egoísta a minha consciência que não revela as respostas do meu coração, nem ao vento que já assobia em tom de a vaiar. A minha voz está muda, mas parece gritar à minha mente que a ajude. ó meu querido amigo! Salva me da incerteza de amar e da tristeza de odiar, do riso da vingança e da vontade de vingar. Ajuda me nesta luta contra o negro luar que invade o meu corpo! Muito afecto,
Rita Sousa
Querido Amigo,
Estou incompleta e sem sentido, Todas as decisões por mim tomadas são descuidadas e rudes. A irresponsabilidade de uma criança enquadra se em mim; já não percebo os conflitos da minha mente perplexa ao ver como me sinto depois de horas, dias, semanas de longos monólogos que o silêncio guarda só para ele, egoísta e matreiro. Também é egoísta a minha consciência que não revela as respostas do meu coração, nem ao vento que já assobia em tom de a vaiar. A minha voz está muda, mas parece gritar à minha mente que a ajude. ó meu querido amigo! Salva me da incerteza de amar e da tristeza de odiar, do riso da vingança e da vontade de vingar. Ajuda me nesta luta contra o negro luar que invade o meu corpo! Muito afecto,
Rita Sousa
Incrível
Incrível como, no final, tudo acaba por se separar; é curioso que, no desfecho da nossa história sentimental, a última coisa a sentir é a saudade. Nem o amor prevalece, o ódio, sentimento de desgosto tão usual na sociedade materialista em que vivemos, ainda consegue durar mais que o afecto sensível e intocável do puro amor. Desde sempre existiram confusões, pessoas que procuram respostas para o que sentem mas acabam por encontrar não preto, não branco, mas cinzento. Cinzento: mistura do branco com o preto, tom complexo com ainda mais dúvidas do que a dúvida posta, deixa um branco vazio e um preto desabitado. Poderíamos persistir na busca das respostas, mas, para mim, o essencial é fazer as questões correctas. Questões correctas: aquelas que, sem sombra de dúvida, darão a resposta genuína ao invés da resposta que saborearíamos ter. Neste momento eu sei o que sinto, mas, se não soubesse, não procuraria saber. Nunca é positivo viver na ignorância, mas ser ignorante é relativo. Na conclusão, no grande final, a única coisa realmente importante foi se sentimos e não o que sentimos, pois no encerrar da existência só vou sentir saudade de sentir.
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