27/12/09

Pensar, pensar. PENSAR!

"agora eu choro. choro ao pensar que tudo o passou, choro ao pensar que te amo, tirem as vossas próprias conclusões. foste o meu maior amor. tudo o que eu sonhei era para ser contigo, e ao teu lado não haveriam limites nem regras, só duas pessoas a sentir o que tinham de sentir, a ganhar e a perder, a chorar e a rir, duas pessoas que caminhariam juntas em direcção á felicidade. eu juro, tu foste o meu grande amor e não há maneira de traduzir isto para meras palavras. este sentimento é livre, mas desta liberdade de amar vem a eterna guerra do sofrer" este foi o pensamento que me correu á cabeça, passando por todos os milímetros simplificadamente complexos do meu corpo, quando dei um gole no meu chá. doía-me a cabeça e já era tarde, havia sido um dia intenso e por consequência eu estava intensamente a precisar de um chá, um comprimido e um aquecedor nos meus pés. levei a mão a cabeça, parecia ter febre mas agora o que me preocupava era a dor que estava a tilintar no meu ouvido, isto quando pensava que não me podia doer mais nada. dei outro gole e pensei "precisa de açúcar", não foi o pensamento mais profundo, eu sei, mas não culpem a mensageira. abri o segundo pacotinho e suavemente deixei cair alguns grãozinhos, com medo de exagerar foram mesmo pouquinhos. mexi rapidamente como se tivesse medo de perder a tão bela conclusão mental que eu sabia que me esperava. dei outro gole, ansiava um novo pensamento, mais complexo, mas o que me subiu ao cérebro foi "exagerei". desisti do chá, estava a dar muito trabalho e sinceramente já não estava com paciência para lidar com uma coisa sem importância como esta, por isso levantei me da cama, abri a porta e desci as escadas, virei á direita, abri outra porta e apalpei a parede escura até encontrar o interruptor. luzes acesas. pousei a canequinha delicadamente decorada com a rena rodolfo em cima do balcão e dirigi me ao frigorífico. tirei um leitinho mimosa e honestamente naquele momento parecia ter encontrado o paraíso. não tinha palhinha, ri me, tudo estava a correr mal e eu não parecia importar me. fui buscar outro. corri para o quarto, bebi o meu leitinho, aqueci os pés com o aquecedor, aconcheguei me e fechei os olhos em tom de dormir. aí me bateu um novo pensamento "tenho calor e não percebo o que é o amor" deixei me levar - "pensava que te amava mas o facto de estar aqui e estar tão bem sem ti fez me ver o que realmente eu amo: eu amo o nós, amo quando há alguém importante para mim em algum sítio porque isso significa ter alguém que me ame a mim, significa que há alguém que se preocupa. mas para isso tenho amigos. então, se eu não te amava a ti e amava o nós, quem és tu? que vieste de levezinho e foste entrando na minha vida como se fosses o meu deus, acreditei sempre em ti e tudo o que me deixaste depois de partires foi a mágoa. não caias lágrima, ele não merece tal queda. não te mexas mão, para lhe ligar, ele não merece tal chamada. não batas coração, quando ele chegar, porque ele não merece tal chegada. nova conclusão: sem ele não há nós. mexam se pernas e vão até ele, porque acima de tudo amo o por mim. e eu amo o nós, mas eu sem tu não há, mim sem ti não dá, e eu aqui e tu aí já não cola! tu não me causas dor, se eu choro é pelo que eu causei" - mas será que este pensamento não acaba? "agora eu rio. rio por mim, por ti e por nós" e gritei entusiasmada: já sei o que é amar, é ter um pedacinho de cada um e com isso formar um todo.

17/12/09

volta

Tu eras aquele que me dava valor. Tu eras aquele que me extasiava com um ‘olá’. Os meus olhos brilham por ti, o meu rosto anseia o teu carinho e os meus lábios têm sede dos teus beijos. Dá-me cor, pinta-me a vida e faz do meu destino um arco-íris. Volta para quem te quer bem, te ama e te protege. A minha felicidade está contigo, o meu sorriso está ao teu lado e o meu amor pertence-te a ti. O resto são ilusões, coisas fora do real e sonhos. Volta para mim, para o meu lado e para a minha vida. As lágrimas são mais salgadas sem ti, quando estás longe choro mais e quando estás perto os meus olhos secam. Isto não é uma coisa vulgar, é fora do comum e extraordinária. Volta para onde pertences, para os meus sonhos e para a minha realidade. Incendeia-me com os teus beijos, cega-me com o teu amor e ilumina-me com a tua amizade. Dá-me paixão, dá-me chama e dá-me fogo. Volta para o meu consciente, para o meu inconsciente e para o meu neutro. Não fujas pois eu já não sei mais correr, não caminhas sem ser a meu lado e não te desvies a não ser que me leves contigo. Não desistas, luta e alcança. Volta para tudo, para o meu mundo e para o meu lar. É onde pertences, de onde nunca devias ter saído e onde te espero. Cheira-me, toca-me e beija-me. Volta para o meu deserto, para a minha praia e para o meu mar. Nunca mais te deixarei sair, ficarás junto a mim e o que nos aguarda é a eternidade.

14/12/09

da boca p'ra fora

Há palavras sentidas, palavras que nos saem do coração. E há palavras automatizadas pela defesa dos nossos sentimentos, das nossas emoções profundas e subconscientes que se guardam na zona escura e esquecida do cérebro. Essas palavras, palavras sem querer, formam frases de mágoa, fazem até mesmo cair lágrimas dos nossos olhos, fazem nos querer fugir, e por fim arrependemo-nos contra os nossos orgulho. As chamadas palavras da boca para fora são aquelas mais humanas. É natural que o ser humano magoe, espezinhe, cuspa na cara e entristeça. O ser humano é naturalmente mau, fortemente egoísta e ridículo em grande quantidade. Este é o ser humano no seu puro estado de inocência, como veio ao mundo. A sociedade corrompe-nos mais um pouco, enfraquece-nos, faz-nos querer desaparecer por todo o milímetro de erro que fazemos. Mas a sociedade está errada. As palavras da boca p'ra fora são típicas do ser humano, mas o perdão que vem a seguir também. Se há coisa que o ser humano faz bem, acima de todas as outras, é amar. Oh, e o ser humano ama amar. Amar, magoar, amar mais um pouco, pedir desculpa, amar acima de tudo, ser feliz. Da boca p'ra fora dá culpa, dá sentimento mau. Amar dá perdão, dá alegria. Portanto eu digo, com muito significado, que amo cada segundo de um erro que cometi, cada milímetro de espaço mal dado. Amo cada toque mal feito, cada rosto que passa pelos meus olhos de relance. E suavemente, amo-te a ti do meu jeito, com as minhas palavras sentidas. Da boca p'ra fora é a injustiça que dá cor ás minhas lágrimas.

04/12/09

the summer of love

Dias, Datas e Memorias



Já era tempo. Não poderia descrever tudo minuciosamente como tu fazes, e peço desculpa por isso. Tu sim, saberias todos os detalhes deste dia se estivesses a falar nele. Saberias a roupa que eu tinha vestida, o meu cheiro, o tamanho do eu riso, saberias o sítio onde estivemos, as pessoas que connosco estavam e o motivo pelo qual nos conhecemos. Eu sinceramente não me lembro. Nem faço questão de me lembrar, apesar de as vezes me dar tanta vontade de me lembrar do primeiro sorriso que trocamos que ate fico triste por uma vez termos trocado o ultimo. Lembro-me sim, com exactidão, de quando demos o primeiro beijo. Lembro-me de que tínhamos vergonha, lembro-me de que nem queríamos assim tanto dar o beijo. Sempre me perguntei: o que ocupava a tua mente naquele segundo? Eu não estive ali, eu voei para tão longe que nem o horizonte la chega. Como eu voei, como eu me apaixonei tão instantaneamente, tão automaticamente por uma pessoa que julgava que nunca mais iria ver, agora, ao me lembrar deste pensamento rio. Vejo-te sempre. Nem no escuro e vasto da minha mente me das descanso. A maior parte dos pensamentos que tenho são sobre ti. Sobre saudade. Mas naquele momento, naquele momento exclusivo, eu só me apaixonei. Deixei que a tua boca me embala-se, a um ritmo tão dócil, tão delicado e ao mesmo tempo com uma explosão de sentimentos de um tamanho tão grandioso. A minha voz hoje e rouca, rouca de tristeza, rouca da imensidão de saudades que sinto ao rever o teu sorriso. Então, a mesma pergunta me invade, mas de uma forma mais explicita, não tão vulgarmente apresentada a minha mente: tu voas-te? Tu deixaste que eu te levasse para sítios tão bonitos quanto o paraíso? Deixaste que a minha boca, encantando a tua, te fizesse apaixonar?


Talvez tenha sido noutro dia, noutro beijo, ou talvez tenha sido o meu riso? Se calhar, apenas terão sido o meu riso, a minha personalidade e o meu amor por ti que despertou tal encanto por uma pessoa que nunca antes havia vivido tão intensamente alguma coisa. Não me lembro, nem faço questão de me lembrar do primeiro dia, mas infelizmente a despedida não me sai da cabeça. Não me sai da cabeça a facilidade com a qual destruímos tudo o que tínhamos construído lutando, contra tudo e contra todos, lutando com mais força do que a Alemanha contra a França em tempos de guerra mundial. E se fosse preciso eu lutava tudo de volta, eu voltava a dar o tudo por tudo, talvez fosse em vão, mas eu sou uma romântica incurável, uma amiga irrequieta do amor.


Desde o primeiro beijo o nosso amor insaciável nunca estagnou, sempre teve a ampla vontade de crescer e aprender com os erros que fomos cometendo a medida que fomos avançando na nossa relação. No entanto, sempre foste bastante confuso no que dizia respeito a nos dois. Creio que sempre tiveste medo de assumir, perante os teus amigos, que já não eras só o amigo deles e que portanto eles tinham que te partilhar comigo, ou talvez tenha sido o medo de assumir uma coisa sob a qual não tinhas absolutamente nenhum controle.


A medida que os meses foram passando, eu e tu, fomos, como qualquer outro casal de época, discutindo com bastante fúria mas mostrando-nos capazes de conviver em harmonia. Nunca celebramos nenhuma data relacionada connosco, pelo simples facto de irmos agradecendo, todos os dias mais um pouco, o nosso amor e não uma data que marcaria apenas algo que já teria começado há mais algum tempo do que esta marcava.


Memorizei, no entanto, e sei que tu também, o dia do primeiro beijo, 25 de Fevereiro, como poderia a minha mente apagar tal conhecimento? Este acontecimento revelou, na altura, memórias de outros tempos, memorias do que fomos sendo ate aquele momento. As memórias que me invadiam a cabeça seriam de coisas muito pouco explícitas, talvez porque não seria suposto eu as recordar. Em todo o meu tempo, em todo o tempo que eu perdi habitando esta terra não renovável, eu percebi, por fim eu percebi, percebi que não vamos chegar a lado nenhum se ficarmos sentados nas confortáveis almofadas do nosso agradável sofá de sala e muito menos deitados no nosso colchão ortopédico. Necessitamos, nos todos, humanos, de tornar o nosso bem-estar merecido. Precisamos nos de lutar, pelo que outros lutaram para nos dar, o que nos faz voltar a memórias. Talvez não fosse pretendido que o meu cérebro atingisse tal momento de êxtase que o fizesse recordar, naquele momento em que tudo era bonito, que houve, um dia, alguém que trabalhou o suficiente para que o mundo existisse ate ao momento que eu o pude realmente começar a aproveitar.


Conclusões, Traições e Ocupações


De aproveitar ate arrepender foi apenas um pestanejar. Comecei, como toda a gente que gera dúvidas de confiança, a fartar-me da situação confusa em que nos encontrávamos constantemente. Éramos instáveis, crianças e não chegamos a ter bem a noção de o que seria ter uma relação. Decidimos por um breve fim a nossa história. Nesse breve fim, continuávamos a tratar-nos como um só, conversávamos, com frases infinitas, saíamos, mais do que seria de esperar para todos os que acompanhavam a nossa vida bem de perto. Concluímos que devíamos casar, concluímos portanto que seríamos imortais, que lutaríamos contra o tempo e tudo o que o interrompesse seria eliminado da forma mais brusca e imediata que poderíamos fazer. Esta promessa, este pedido de um futuro a dois, nunca terá sido completamente descartada. Concluo que será por termos saudades. Apesar de teres tido as tuas aventuras neste pequeno percurso que caminhaste sem mim, o que realmente interessava seria ter-te de volta, e ali estávamos nos, de volta, de volta ao nosso juntos para sempre. Vivemos intensamente as seguintes semanas, se bem que pouco me posso recordar delas, passou velozmente o período de felicidade levando-nos de volta ao período da incerteza. Concluímos que seria temporário. Haviam chegado os tempos de excessivo calor, o verão prometia ser dos mais quentes até á data, intitulei-o de the summer of love, pois sem duvida alguma deixava a crer que o seria.


Terça-feira, matinei, o doloroso toque do despertador soou pela manhãzinha ainda jovem, eu sorri, estava na hora.


Voei desde a minha grande e desarrumada cama ate ao espelho mais próximo para verificar se o meu cabelo estava de acordo com o planeado, na noite anterior havia feito uma pequena grande lista de tarefas para me aprontar de forma perfeitamente perfeita para o meu apaixonadíssimo namorado. Comecei pelo cabelo, e fui descendo até aos sapatos, nesse dia eu poderia dizer que valeu a pena o esforço de matinar e de me aprontar com um estilo subtilmente encantador.


Lamentações, Desculpas e Significados


Lamento tanto que não tenha dado certo. Lamento com todas as minhas forças que eu não tenha conseguido perseguir o que realmente queria: ser feliz ao teu lado. Mas então, a culpa não terá sido apenas minha. Eu não te vi lutar. Não te vi chorar sob aquilo que passamos, não te vi arrepender de todos os erros que cometeste comigo. Nem me pediste desculpa. Sim, desculpa. Merecia tal tratamento reles vindo de uma pessoa que eu venerava, amava talvez? De todos os castigos do mundo, esse pareceu-me o mais baixo. No dia em que soube, senti-me inferior a um ser unicelular, senti-me espezinhada, parecia que um mundo de pessoas me estava a observar duma forma tão lenta e tão serena que pareciam querer julgar-me por erros que nunca cheguei a cometer, apesar de ter sido tentada duma maneira quase irrecusável. Eu soube dizer não ao que te magoava, soube afastar o que te prejudicava, soube apagar da nossa história os meus erros pedindo-te desculpa da forma mais pura e sincera que alguém alguma vez poderia pedir. Eu quis, com toda a minha alma, fazer com que nós resultássemos, fazer com que o teu sorriso, que durava apenas uns segundos, ecoasse na eternidade do meu ser. Eu tornei o teu riso, a tua voz, o teu cheiro, tão familiares para mim que a única coisa que consigo lembrar ao fechar os olhos e isso mesmo, parece que quando tapo os ouvidos consigo ouvir, através da memoria, o teu riso, as tuas gargalhadas mais inconscientes, quando passo o nariz por uma camisola, ou quando me delicio com o cheiro doce que paira no ar, tu invades a minha mente revelando que eu, mesmo no meu subconsciente, apenas conseguirei viver ao teu lado, fazendo tudo para que dê-mos certo, trabalhando arduamente para que nunca queiras separar-te da felicidade que provoco em ti. Já fazias parte da minha rotina, eras um grande pedaço das minhas historias, dos meus romances, das minhas frases filosóficas pela manha, pela tarde, e ate mesmo a noitinha quando o João Pestana já me chamava atirando o sono para o meu quarto. Eu, acima de tudo, quero que saibas que não te guardo rancor. Não te odeio, não te julgo mas sinto-me completamente incapaz de te perdoar. E de te amar de novo. De te amar com tanta força, e com tanto amor, que me doía a cabeça quando não te podia ver, que ficava doente quando não te podia ouvir. Tu eras o meu maior vício, iniciei-te numa tarde de sol e nunca mais te consegui largar, nunca mais te consegui afastar, empurrar, para longe de mim. A tua voz ainda e musica para os meus ouvidos, eu apenas deixei de cantarolar tão alto que o teu riso e a fonte da minha alegria. Eu vivi para ti, e mesmo assim consegui investir em mim. Consegui ter passatempos, ter amigos, consegui evoluir, aprender, sorrir, viver, ser feliz. Consegui as maiores proezas da minha vida enquanto era tua. Enquanto me intitulava de tua namorada, e quando a tua vida invadiu a minha eu consegui salva-la.


Eu, que já implorei tanto a um ser superior que ninguém me garante que existe, implorei mais uma vez, sussurrando mas fazendo com que esse ser superior me ouvisse, recorrendo a uma coisa que tinha que ser a minha última opção, eu pedi por tudo o que tinha, eu pedi-te de volta. Pedi-te de volta com erros, defeitos e parvoíces, porque uma vez que me vi livre deles percebi que não se ama uma pessoa por ela ser perfeita mas sim a ama-mos por ser tal e qual como e: gorda, magra, baixa, alta, mediana, invejosa, egoísta, generosa, querida… O amor não nos chega procurando a perfeição mas sim a pureza do sentimento, ele vem para clarificar a nossa mente corrupta, iluminando-a e mostrando, dando-nos mais uma chance, que somos capazes. O amor, e tema de conversa pois existe em todas as células do nosso corpo, alias e o amor o núcleo da nossa vida.


Antes, Depois e Durante


O passado não havia sido totalmente perfeito, mas eu amava o meu passado, o nosso passado com todos os seus defeitos e loucuras. Na verdade amava mais o passado do que o presente. O passado era tão rico, tão intenso. Confesso ter achado que aquele seria o amor da minha vida, o meu único amor aliás. Não podia estar mais enganada. O que eu havia vivido contigo não tinha chegado ao fim, apenas tinha sido o inicio de tanto mais.


Limpei as lágrimas do meu rosto pálido, levei um pouco de blush á cara com um pouco de algodão e espalhei, suavemente, pela minha pele de modo a que ganhasse alguma cor, com um lápis preto desenhei um risco preto na parte inferior dos meus olhos, agora parecia muito mais velha. Mas, mesmo antes de pegar no casaco cor-de-rosa que tinha escolhido para usar naquele dia lembrei-me de dar um pouco de brilho aos lábios. Saí, silenciosamente, de casa, não podia fazer muito barulho pois o meu pai estava a dormir, ainda. As férias agora já tinham acabado, já nem era mais verão. Era Inverno, mas um Inverno enganador, continuava um clima quente, como se o amor ainda ardesse dentro de mim, parecia que o clima acompanhava a nossa história, a história que aqui escrevo. Enquanto passava pela rua, fazendo o mesmo caminho de todos os dias, reparei que apesar de todo o calor que eu sentia as pessoas não o pareciam acompanhar, na rua haviam pessoas de cachecóis e gorros, e casaco compridos com botas polares. As folhas das árvores também não acompanhavam esse calor, caíam do seu ramo ao ritmo duma balada. Olhei mais de perto, afinal haviam pessoas de todas as maneiras, dando a esta rua uma divergência de estações incrível. A rua estava também multicolor. Avancei, pé ante pé, até que cheguei á escola, estava em obras por isso respirava-se pouco mais que pó ali, dirigi-me para os meus amigos, conversamos um pouco, nada de mais, conversas de senso-comum. Finalmente tocou, chegamos sempre atrasadas mas naquele dia excedemos os limites. Uma amiga veio a correr até mim e implorou para que eu faltasse com ela, eu pensei que uma vez não seriam vezes, não era propriamente u m novo vicio meu e ela parecia estar abalada com alguma coisa. Aceitei. Sentamo-nos num sitio a que chama-mos ‘stair cube’, estávamos lá mais ou menos 10 raparigas, a falar, a rir, a brincar. Vindo do nada, apareceu simplesmente o rapaz mais maravilhoso que vocês possam imaginar, com o sorriso mais bonito e amplo de sempre. Ele pareciam iluminar-me o dia, iluminar-me a cara, iluminar-me a vida, naquele momento. Será que eu estava… Diante de um novo amor?

what if ?

If I loved you? I’d have to say you’re so mean. You’re so bad and yet I can’t seem to let you go. You’re not mine yet, but you will be. Oh yes you will. You’ll love me with your heart and soul, you’ll love me with every single bit of yourself. And you’ll never need anyone else. You’ll try to need them, but it will be just to prove me you can live without me. You’ll fail. You’ll realize I’m the only thing that matters. We will live happily ever after. We will live this love, our love, forever. Until the end of times, who knows we’ll still be together even after the time has ended. We’ll make our own time, with no end. I forgot to say what I’ll do. I’ll love you like you are my oxygen, I’ll desire like you are the fire in me -wait, I already do that- I’ll keep doing that, plus I’ll kiss you. I’ll hug you while you’re asleep, I’ll kiss your nose, I’ll tell you just how much I need you in my life. How much I need your games and how the things you do, that sometimes are just ordinary, make me want to call you teddy bear ‘cause damn it you look so cute! I will not beg you to stay with me. But I’ll never let you go. Hypothetically speaking of course.

far away

I want to live it, I want to breathe your love and kiss your forehead and never say goodbye. I want to be able to love you with everything I got without having to make it sad. I don’t want to listen to those sad love songs that pass on the radio and realize they’re telling our sad love story. I don’t want to see you far far away always thinking how it would be to have so so close , I don’t want to cry , I don’t want to die , I just want to love my guy . At least in my lovely lovable dreams.

the one

You are my good mood, the best part of me. you are the one that calms me down when I’m nervous , you’re the one that makes me laugh when I feel like crying but probably also the one that makes me cry most of the times . You’re the one that holds me respect, the one I sharish the most. You are also the one that makes me see my flaws but in a way that makes them look so much more beautiful, you’re the one I want to hold in my arms since the morning until the night falls. You’re the one that gives me kisses until I fall asleep and also is there when I wake up staring at my lips like they are the sweetest dream. You’re the one that knows me best and the one I know every single detail about. However, I really don’t know who you are.

Lembrar

Para dizer a verdade: eu nunca estive lá. Pura e simplesmente porque não podia. Estou presa num enredo de caminhos e auto-estradas, e não consigo parecer encontrar a rua do nosso amor. Ainda durmo a pensar que me estás a abraçar, por favor lembra-te. Lembra-te de quando estávamos ao telefone cinco horas seguidas e eu te dizia ‘sinto-me abraçada’, lembra-te que eras tu quem me abraçava. Lembra-te que eu posso não estar aí contigo a toda a hora, aliás eu nunca estou aí contigo, mas estou aqui sempre para ti. Única e exclusivamente para ti, e para que tu te lembres. Lembra-te de mim, lembra-te das gargalhadas todas que demos, lembra-te de tudo o que tu quiseste e eu não te soube dar, lembra-te de tudo o que me deste e eu não soube estimar, mas lembra-te também que eu soube mudar por ti. Soube chegar ao que sou agora, soube atingir um estado de magnificência tão magnífico só por pensar em ti, e em nós. E por me lembrar. Lembrar-me de tudo o que sonhei que podia viver ao teu lado, cheguei á simples questão que ainda posso viver isso tudo. Ainda não morri, apesar de não saber o caminho, de estar perdida numa auto-estrada e não ter decorado o nome da rua, eu vou comprar um mapa. E a única coisa de que preciso para chegar até ti é de um comboio. E de que te lembres. Mas eu sei que te lembras, depois de tudo tu lembraste do antigo e ainda pensas no novo. A distância é subjectiva. O amor não é físico. E eu, sou a tua memória viva.

estar

Eu estava lá quando soltaste o primeiro sorriso. Quando tu disseste olá, eu estava lá. Eu estava lá na timidez dos primeiros dias, na brincadeira dos dias seguintes, nos risos e nos berros mas nunca nas zangas. Talvez porque essas não tenham existido. Eu estive lá quando estava sol e tu estavas de t-shirt e estava lá quando choveu e tu estavas de casaco. Estava lá quando não tinhas livros e quando tinhas a mochila cheia deles. Estava lá quando tinhas física e quando tinhas furo, eu estive lá. Eu estou lá quando tu precisas, estou lá quando te ris com aquele teu riso estranho ou quando estás mais mal-humorado. Eu estou lá quando cais e te ris e quando cais e te magoas a sério. Eu estou á para te ver errar e para te ver acertar e também estou lá se houverem lágrimas ou se quiseres ajuda para um grito eufórico de alegria. Eu estive lá desde que me lembro de ti. Eu estou lá porque nunca me esqueci de estar. E eu vou sempre lá estar porque nunca me vou esquecer de lembrar de ti e de onde tu estás.

02/12/09

Sem ti

Suspirei. Olhei pela janela do carro em movimento e poucos foram os borrões de imagem que consegui entender. Enquanto a minha vida se desfocava á velocidade da luz a única coisa em que eu pensava era no que tu farias agora. Talvez deixasses passar a vida por ti, como se ela nunca tivesse existido, mas, e este simples mas é muito importante, tu largarias a vida sem me largar a mim. E eu não te conseguia agarrar, nem te conseguia ver. Eras apenas um esboço da minha vida, uma mancha nos meus olhos. Como poderia isto estar a acontecer enquanto eu estava na auto-estrada directa para o inferno, eu não sabia. O sol parecia mais quente enquanto eu derramava gotas de suor por todo o corpo, o carro parecia abrandar conforme ficava mais quente, e eu ali quieta, imóvel, sem mexer um único músculo em tom de voltar atrás, em tom de voltar atrás para ti. O meu percurso já estava destinado, o caminho estava a ser seguido tal e qual como foi traçado, alguém havia escrito a minha vida do início ao fim e o fim acabara de me atingir. Fui expulsa da minha dimensão paralela a todas as outras terminando assim a minha existência, acabando assim com qualquer tipo de actividade ou coisa semelhante que fazia enquanto o oxigénio me entrava pela boca e o sangue me corria nas veias. Estava perto. Quis gritar, quis chamar por ti mas não saía som. Perdi a minha voz e juntamente com ela o que restava da minha força. Perdi a minha forma de liberdade e a minha maneira de comunicar, o meu modo de fazer justiça estava agora extinto. As minhas pernas não se moviam. Estava presa num carro em andamento e nada me podia tirar dali sem ser quem eu mais esperava. Estava presa a uma viagem finita com destino ao abismo, ao supremo da tortura e da angústia. Ouvi ao longe: o melhor conselheiro é o tempo. Era uma voz tão familiar, tão grossa e uniforme. Comecei a pensar em deixar o tempo tomar conta de mim, mas tempo era exactamente o que eu não tinha. O tempo esgotou durante o meu pensamento. Saí do carro, andei em direcção a um poço de almas, por instinto. Senti que merecia: nunca mais veria a tua cara, não te podia proteger, não podia mais ser tua. Senti algo no meu ombro, olhei para trás o céu limpo e o sol brilhante faziam uma nova paisagem. Há sonhos infernais.