14/12/09

da boca p'ra fora

Há palavras sentidas, palavras que nos saem do coração. E há palavras automatizadas pela defesa dos nossos sentimentos, das nossas emoções profundas e subconscientes que se guardam na zona escura e esquecida do cérebro. Essas palavras, palavras sem querer, formam frases de mágoa, fazem até mesmo cair lágrimas dos nossos olhos, fazem nos querer fugir, e por fim arrependemo-nos contra os nossos orgulho. As chamadas palavras da boca para fora são aquelas mais humanas. É natural que o ser humano magoe, espezinhe, cuspa na cara e entristeça. O ser humano é naturalmente mau, fortemente egoísta e ridículo em grande quantidade. Este é o ser humano no seu puro estado de inocência, como veio ao mundo. A sociedade corrompe-nos mais um pouco, enfraquece-nos, faz-nos querer desaparecer por todo o milímetro de erro que fazemos. Mas a sociedade está errada. As palavras da boca p'ra fora são típicas do ser humano, mas o perdão que vem a seguir também. Se há coisa que o ser humano faz bem, acima de todas as outras, é amar. Oh, e o ser humano ama amar. Amar, magoar, amar mais um pouco, pedir desculpa, amar acima de tudo, ser feliz. Da boca p'ra fora dá culpa, dá sentimento mau. Amar dá perdão, dá alegria. Portanto eu digo, com muito significado, que amo cada segundo de um erro que cometi, cada milímetro de espaço mal dado. Amo cada toque mal feito, cada rosto que passa pelos meus olhos de relance. E suavemente, amo-te a ti do meu jeito, com as minhas palavras sentidas. Da boca p'ra fora é a injustiça que dá cor ás minhas lágrimas.

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