23/09/10

Next Stop: Nowhere

Somos nós a andar contra o vento. Como se estivéssemos constantemente a tentar acender um isqueiro a meio de uma tempestade. Torna se tudo tão mais difícil quando o único tudo que nos rodeia está a puxar nos para o outro lado da verdade, o outro lado de nós, torna se tudo tão insuportável quando percebemos que ou somos nós a ganhar ou é o resto do mundo. Sou eu e és tu, somos nós, a remar contra a maré perigosa num dia de tsunamis exageradamente monstruosos, e por muito que respiremos parecerá sempre que acabamos de nos afogar. Por muito que eu tente, que eu faça um esforço, serei sempre eu mais tu contra as nortadas que arrasam furacões e contra as discussões que arrasam corações. Seremos sempre nós a criticar nos a nós mesmos por algo que nem fomos nós a criar, a dar regras, a dar propósito. Serei sempre eu a tentar acalmar as coisas que tu amenizas e que o resto do mundo faz questão de explodir exactamente na parte onde dói mais: no meio de nós. E como se não bastasse, qualquer decisão tomada por mim saíria uma perfeita idiotice. Remetendo me ao silêncio choro. E se choro só me lembro que sou eu e tu, e que o resto nem devia existir.

17/09/10

Paradoxo

Hoje estou só nos corredores dos meus próprios pensamentos. Não me vejo, não me sinto. Se esticar a mão toco noutro pensamento, abro a porta a novas confusões mentais e aos dilemas psicológicos dos quais me estou a tentar esconder e por isso fico imóvel. Hoje bloqueei a mente de qualquer pensamento, bloqueei a mente de pensar que dento do impossível há o paradoxo do inevitável. Não deixei, no entanto, de entender o submundo dos meus neurónios, entendo o, por mais incrível que possa soar, bastante bem. É obscuro e sinistro mas, se me mexer um milímetro para o lado errado do cérebro corro, muito possível, um dos tais impossíveis e inevitáveis riscos: corro o risco de pensar. E se eu tiver um único pensamento expludo, e, por consequência, se explodir vou queimar alguém. Eu ás vezes não quero queimar ninguém. Ás vezes preciso de me fechar dentro de mim mesma com a lâmpada das ideias apagada, preciso de me fechar e de por uns segundos ser cega, surda e muda para o mundo, porque eu sei que, e alguém me ajude quando isto acontecer, quando sair deste lugar vou acabar presa num sítio bem pior chamado realidade. E, já que lá vou parar de qualquer forma, mais vale ficar no seguro escuro mais um bocadinho. Preciso de "impensar" sobre as coisas, preciso de esquecer tudo o que pensei e impossibilitar qualquer novo pensamento em relação a isso. Preciso de aproveitar o quentinho do estável antes de sair daqui. Mal sair vou ter que pensar. Ninguém me devia ter ensinado a pensar, assim talvez a minha realidade fosse tão oca segura e estável como os corredores onde me sento. Consigo encolher me aqui tanto ao ponto de caber num pequeno quadrado de 1x1 e é precisamente assim que consigo estar minimanente confortável, quer dizer, não estou propriamente no paraíso deitada á sombra da bananeira mas juro que neste momento se no inferno me pudesse abstrair do mundo até isso seria melhor que lá fora. Hoje estou só porque ao passar de uma porta para outra descobri um corredor. E foi realmente a melhor descoberta que podia ter feito: um refúgio.

14/09/10

Jogas?

Escolhe uma musica com I love you. É um jogo, apenas um jogo e somente um jogo. Mas como todos os jogos tem um preço.
Peço te que escolhas, tens tempo. Escolhe uma musica que te faça completamente delirar a pensar no tal 'you' que te consome os neurónios e te queima os pensamentos, ou talvez ao contrário.
Todo o tempo do mundo neste momento está cedido a ti. Não há nada a pesar a tua cabeça nem nada a pressionar o teu futuro. És só tu, a jogar um jogo. O preço não é material, não é poker nem se joga a dinheiro. Na verdade, o preço a pagar é dar para receber. Há que responder para receber a resposta.
A musica, a 'tal', vai sorrateira entrar te pelos ouvidos e alojar se no canto do teu olho. Vai, se for verdadeira, escorregar, húmida e leve, pelo teu rosto e alojar se no teu coração. Deixa a cair. Quanto mais depressa cair, mais depressa cais tu na realidade e obténs a tua resposta.
É só um jogo, mas vai te arrasar a mente e maravilhar a vida.
Eu já sei a minha resposta: I love you.

05/09/10

Desertamente Molhado

E, subitamente, o deserto que era a minha vida foi invadido pelo oceano de felicidade que tu, lágrima a lágrima, construíste para aumentar a tristeza dela e acabaste por me oferecer a mim sob o pretexto suave de que eu nunca te faria chorar. Foi subtilmente adorável, deliciosamente eterno e alegremente comprometido. Viajei de barco no teu oceano, procurando por ti me deixei levar pelas correntes, embalada nas ondas e perdida entre rochas e rochas que representavam tudo o que estava mal na tua doce existência. Tentei caminhar sobre o teu oceano mas apenas avistei o horizonte por uns segundos. apenas quando me atrevi a entrar nele te percebi. Era como um alegremente decorado filme de terror, com um pouco de comédia como que uma cereja no topo de um bolo. Sem ponta de romance certo seria algo no qual ambos viviamos. Quando mergulhei nesse teu oceano algo sumiu dentro de mim e apareceu na palma da minha gentil mão pequena, ainda de menina, ponderei todos os objectos mas nenhum se assemelhava ao que tinha na mão. Quando olhei para ti, quando finalmente te vi, com olhos de quem vê e não de quem pouco se importa, percebi o que era aquilo. Libertaste me do ódio e da tristeza, hidrataste o meu deserto, foste puro e meigo e isso mudou o meu jeito rude. O que tinha na mão era uma escolha, e posso dar a certeza ao mundo de que tomei a correcta. Enterrei no meio do mundo o meu pior, no silêncio ainda se ouvem os gemidos de quem sofre por te perder, de quem tem nódoas negras de ir sempre contra o mesmo obstáculo e nunca te conhecer. Não foi uma história simples de amor, foi uma busca por um caminho. E por incrível que pareça foi um caminho que só mergulhando nele mesmo o encontrei. Podemos passar tempos e tempos infinitamente infinitos á procura de uma coisa que está simplesmente á nossa frente á espera de ser encontrada. E, subitamente, juntos somos praia.