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05/09/10
Desertamente Molhado
E, subitamente, o deserto que era a minha vida foi invadido pelo oceano de felicidade que tu, lágrima a lágrima, construíste para aumentar a tristeza dela e acabaste por me oferecer a mim sob o pretexto suave de que eu nunca te faria chorar. Foi subtilmente adorável, deliciosamente eterno e alegremente comprometido. Viajei de barco no teu oceano, procurando por ti me deixei levar pelas correntes, embalada nas ondas e perdida entre rochas e rochas que representavam tudo o que estava mal na tua doce existência. Tentei caminhar sobre o teu oceano mas apenas avistei o horizonte por uns segundos. apenas quando me atrevi a entrar nele te percebi. Era como um alegremente decorado filme de terror, com um pouco de comédia como que uma cereja no topo de um bolo. Sem ponta de romance certo seria algo no qual ambos viviamos. Quando mergulhei nesse teu oceano algo sumiu dentro de mim e apareceu na palma da minha gentil mão pequena, ainda de menina, ponderei todos os objectos mas nenhum se assemelhava ao que tinha na mão. Quando olhei para ti, quando finalmente te vi, com olhos de quem vê e não de quem pouco se importa, percebi o que era aquilo. Libertaste me do ódio e da tristeza, hidrataste o meu deserto, foste puro e meigo e isso mudou o meu jeito rude. O que tinha na mão era uma escolha, e posso dar a certeza ao mundo de que tomei a correcta. Enterrei no meio do mundo o meu pior, no silêncio ainda se ouvem os gemidos de quem sofre por te perder, de quem tem nódoas negras de ir sempre contra o mesmo obstáculo e nunca te conhecer. Não foi uma história simples de amor, foi uma busca por um caminho. E por incrível que pareça foi um caminho que só mergulhando nele mesmo o encontrei. Podemos passar tempos e tempos infinitamente infinitos á procura de uma coisa que está simplesmente á nossa frente á espera de ser encontrada. E, subitamente, juntos somos praia.
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