31/01/11

another day goes by

e hoje ia ser o dia, mas não foi. não adianta marcar datas para o incerto, seria como tentar prever a vida futura de alguém já há muito morto. não sinto as calamidades das ideias deficientes e teorias não muito exploradas, hoje. pois hoje ia ser o dia, mas não o foi. e qual dia seria se não mais um, se não mais um dia no calendário rotineiro da inocente existência de qualquer ser racional contemporâneo. não posso, contudo, garantir com toda a certeza existente em mim que hoje não foi o dia, afinal hoje terá sido um dia, não mais dia que o dia de ontem, ambos tiveram as mesmas horas, os mesmo minutos e, com sorte, os mesmos segundos apenas não os mesmos momentos. ontem, por esta hora via-me a pensar que hoje seria o dia e hoje neste preciso segundo dou por mim a ponderar cada vez mais o pensamento vago de que hoje não foi o dia. após concluir que hoje foi, sem margem para a mais subtil dúvida, um dia, podemos concluir também, sem pressas, que hoje foi o dia. nenhum outro dia vai conseguir atingir o elevado grau de espontaneidade que o dia de hoje me permitiu; nenhum outro dia conseguirá alguma vez ser igual a este, por muitas semelhanças que possa adquirir. logo, sem mais demoras, chego à ideia final de que todos os dias são o dia. hoje ia ser o dia que eu queria, mas não foi, foi o dia que me fez ficar a pensar que talvez amanhã seja o dia. que dia.