24/03/11

No Title

Escreves uma página sobre a vida, sobre o que amas, sobre o que admiras na tua vida. Pões um ponto final mas decides continuar a escrever, continuar a contar como todas as vezes que respiramos soltamos um suspiro de ilusão. Todos os passos que dás a pensar na tua breve história de amor, todas as diferenças e todas as semelhanças, todas as saudades descritas até ao ínfimo detalhe em pequenas folhas frágeis de papel. Continuas a escrever, desta vez até desenhando o que sentes, fazendo imagens aleatórias nos cantos das folhas sempre levemente decoradas com temas românticos e os corações sempre presentes, é um cliché, tu sabes, mas continuas a desenhar. Pintas um quadro e pendura lo bem alto para toda a gente ver do que te gabas, para toda a gente sentir por uns segundos o que tu sentes quando vês o teu mundo pelos teus olhos puros, cegos. Esculpes uma escultura da pessoa, mostras ao mundo a tua obra de arte, todos ficam radiantes, vêem o teu amor na escultura e o teu brilho nos olhos ao contemplar a tua obra de arte. Decides fazer um filme com a história que já escreveste, o teu livro transforma se numa saga tão rapidamente que nem dás por ela, tudo muito realista, novamente congratulam te pelo teu excelente trabalho, pelo amor que tens ao teu trabalho, pelo amor que tens ao teu amor. No fim disto tudo, começa a tornar se aborrecido, perdes o entusiasmo pelo trabalho, já não precisas de mostrar o que fizeste, já só precisas de sentir o que sentes. Sentes te realizado, foi o trabalho perfeito de uma vida, foi maravilhoso. Mas quando no fim dos teus filmes leste "the end", não percebeste mesmo que era o fim? Escreve se um livro, desenham se figuras, pinta se um quadro, faz se uns filmes... E não adianta continuar a fazê lo, ás vezes acaba mesmo tudo ali, morre com o entusiasmo, morre com a saudade, parte se a escultura, a tinta escorre no quadro, alguém apaga os desenhos, os filmes já ninguém vê e a história... Essa fica só contigo, só na tua memória. To be continued.