É como um sonho bom, como algodão doce arrancado da mais perfeita nuvem do céu, é como se a luz do sol se concentrasse na beleza interminável e no entanto fugaz de um sorriso dele. Como se, me roubassem as palavras todas e não me permitissem discursar sobre a vida, a única palavra ainda existente no meu dicionário é perfeito. Perfeito foste e perfeito és, perfeito é não saber o que dizer e mesmo assim continuar a escrever. As minhas mãos cansadas de escrever sobre a dor do mundo agora sentem o tu toque meigo e se derretem, juntamente comigo, ao ver que o meu dicionário está então correcto. Perfeito és tu, perfeito é o momento. Perfeito é o apaziguador silêncio de um beijo teu, que me tira da escuridão do meu território mórbido e incompleto e me completa num húmido beijo de "olá". Que este "olá" nunca venha com um "adeus", pois o que seria de mim se o meu dicionário voltasse a ser preenchido por palavras magoadas e ainda pouco cicatrizadas de dores de tempos passados? Não seria nada, seria apenas mais uma gota de água num riacho cheio até ao topo, será apenas mais uma célula morta que com o tempo apodreceu. Contigo só tenho uma palavra, e é uma bela palavra, é uma palavra perfeita. E é meio perfeito saber o quão perfeito tu és. Porque me fizeste levitar desde o primeiro segundo, entrego te o meu mundo numa bandeja de ouro. É doce a vitória do amor, é como voar sem asas e andar sem pés num sítio onde o céu é mudo e o chão é surdo ao mundo mau que tu apagas com um "hello". É como um sonho bom, que me tirou do pesadelo medroso em que vivia. Que pôs o doce em algodão.

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